“Eu
tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem
costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente
ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como será ouvidas.
A
verdade é que desde sempre foi complicado entender o que eu sinto, mas eu
sempre tentei descrever em palavras para que, quem sabe alguém mais ou menos
desocupado do que eu, pudesse entender por mim.
Eu
não sei o que vi em você, só sei que vi. Vi o que ninguém mais conseguiu ver,
fui além do que os olhos mostram. Não estou dizendo que você é perfeito, porque
não é. Mergulhei fundo, descobri cada detalhe seu e cada defeito, mas me
apaixonei por eles também.Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber.
Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia.
Talvez
seja teu “sorriso resplandecente que deixou
meu coração alegre ”, talvez seja o jeito como passa a mão no
meu cabelo, as coisas doces e amáveis que você me fala o tempo todo,
teu jeito tão diferente, ou porque você me ouve
como se me entendesse, e fala como quem soubesse o que dizer
e não diz nada muitas vezes, porque tu entende os silêncios . Quem sabe
ainda, tenha sido por parecer que você tem o meu manual de instruções, porque
você costuma decifrar os meus sonhos. Talvez seja, pelo mundo, que costuma
girar tão devagar quando você me abraçar. Até teu silêncio olhando pra mim
é bonito. Também não sei se o que me prende tanto a você. Deve ser justamente
essa impossibilidade de sermos, finalmente, nós.”
Você
sabe. Acho que sempre soube. Eu tinha medo de gostar de alguém, de me envolver,
de me mostrar sem disfarces. Gostar dá um medo danado. De perder a liberdade, a
identidade, de se machucar, de não saber mais voltar. Mas eu arrisco, porque
talvez eu goste de chorar de vez em quando, e se eu arrisco mais forte ainda é
porque eu gosto de sorrir também. E quando já não sei mais o que sentir por
você, eu respiro fundo perto da sua nuca, e começo a querer coisas que eu nem
sabia que existiam. Quando deitamos ali e seguramos um na mão do outro, eu
senti um daqueles segundos de eternidade que tanto assustam o nosso coração
acostumado com a fugacidade segura dos sentimentos superficiais.
E
a gente? Tem tudo para dar errado. Mas, ainda assim, o som da sua
voz continua me acalmando. Por quê? Porque o teu beijo
ainda é mais viciante que qualquer livro que eu já tenha lido. Porque os
teus braços ainda são o melhor esconderijo do mundo.
Ma
se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas
que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas pra um dia dar certo.
Claro
que na hora deu raiva, quando você me disse aquelas coisas, parecia que tu não
pensou em mais ninguém quando me falou aquilo, só em você mesmo, mas a gente
nunca pode julgar o que acontece dentro dos outros não é? E eu entendo
Le, sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor
enlouquece, o desejo trai.
E
se eu pudesse fazer um pedido, pediria pra que você fique. Mesmo que o futuro
seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse
é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo,
vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um
risco.
Mas
ao mesmo tempo, não quero ter nem ser de ninguém. Quero algo além desse
sentimento de posse, quero a entrega todo dia, por vontade própria. Sem
contratos de amor eterno.
“E
você pode até não perceber, mas o meu coração se amarrou em você”. E eu sei que
pra te ter por perto um pouco, eu não devo, te querer por perto sempre. E gosto
de pensar assim: se a gente faz o que manda o coração, lá na frente, tudo se
explica. Por isso, faço a minha sorte. Sou fiel ao que sinto.”
Mas
se você ficar, é bom que saiba, que vai ter que me aturar, aturar todas as
minhas crises de ciúmes, meus momentos - não tão raros - sem paciência, as
minhas desconfianças e meus surtos de insegurança. Aturar meus dramas, minhas
teimosias, minha arrogância, minhas piadas sem graça e o meu romantismo. Aturar
todos os meus tipos de provocação, meu amor por outras pessoas, minhas mudanças
inconstantes de humor e de temperamento. Aturar minha mente confusa, minha
memória irritante, minha sinceridade exagerada. Aturar quando eu falar que te
gosto mais e também quando eu não falar que te gosto. Aturar e segurar tudo não
por mim, nem por você… Mas por nós.
Não
sei direito o que esperar do futuro. Talvez seja melhor nem esperar nada, não é
mesmo? Dizem que o bom é a gente viver um dia de cada vez sem pensar no depois,
no que virá, na continuação, na parte dois, três, quatro, cinco, seis…
Portanto, mesmo que você cometa a vileza de me deixar sem resposta, de repente
a gente se encontra numa esquina, numa praia, num outro planeta, no meio duma
festa ou duma fossa, no meio dum encontro a gente se encontra, tenho certeza.”

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